quinta-feira, 19 de setembro de 2013

A gênesis de um alfabetizado


A gênesis de um alfabetizado

O tempo passa, e a nossa história de vida vai sendo registrada em nossas lembranças, como, quando escrevemos em uma folha branca, em muitos momentos corre solta e sem um roteiro para nos guiar, e por outras vezes, são outros quem traçam esse caminho para nós, hoje quando refaço os passos consigo entender o quão importante foram aqueles que me guiaram no registro daquilo que eu não tinha consciência e que me presentearam com um tesouro que só agora conheço o valor... O conhecimento é assim, distribuído gratuitamente e só valorizado por quem o adquiri, tempos depois, ao menos, pelo que me recordo, foi assim comigo.

Primeiro com a mágica professora Inês, que munida de uma simples cartilha me apresentou as silabas e um pouco mais tarde me confidenciou o segredo das inúmeras possibilidades de suas combinações, e assim de uma hora para outra, me tornei leitor e escritor, com um mundo todo novo e cheio de novidades para contar a minha mãe a cada tarde que regressava a minha casa. E lá se foi a 1º, 2º e a 3º série do ensino fundamental. Foi então que em uma manhã do ano de 1987, fui promovido de aprendiz de magico das silabas para mini cidadão do mundo real.

 Chamava-se José, aquele imenso homem de barba fechada e de cor escura, que com sua imensa barriga e com sua voz grave fazia tremer até o mais traquino de meus colegas de sala, tinha inúmeras regras, presava pela disciplina e pelo respeito acima de qualquer coisa, nos cobrava e sobrecarregava de tarefas e nos penitenciava por seu não cumprimento, porém, quando ler era o assunto, se tornava eloquente, chegando a ter um brilho nos olhos. Era de origem nordestina, e sempre nos relatava as mazelas da vida, sempre nos contava das dificuldades do povo nordestino quando aqui chegavam por falta da escrita e da leitura, me mostrou que a magia das silabas tinha um oposto chamado analfabetismo e um sintoma chamado desigualdade. Foi ele com sua postura rígida e sisuda que atuou de forma preventiva sobre minha história, que até aquele momento não tinha roteiro nem tão pouco um direcionamento consciente de minha parte, foram muitas tomadas de leitura a frente da sala, muitos gaguejar, muitos sermões e muitas palavras de encorajamento. Foi então, que, novamente, sem um prazo ou prévio aviso, fui mais uma vez promovido, agora de mini cidadão do mundo real para cidadão imune a chaga do analfabetismo, leitor, escritor e orador, a partir dai não mais leria só para mim, mas para os meus e para o mundo.

Leitor, escritor e orador por obrigação, era quase como uma função a ser cumprida, ainda faltava algo, foi então que ainda sem um roteiro de minha autoria, nas férias de 1989, minha mãe em uma viagem de ônibus de três dias para visitar meus avós no estado do Piauí, me mostrou que eu poderia usar a minha leitura como uma forma de lazer me presenteando com inúmeras historias em quadrinhos, que se tornaram a porta de entrada em minha vida para contos, ficção cientifica, romances policiais, títulos literários, artigos científicos, etc.

Agora sim! Leitor, escritor e orador por prazer, pronto para ser o autor do meu roteiro de vida.
 Há certas coisas que não tem como esquecermos, pois são muito marcantes em nossas vidas, me lembro perfeitamente quando eu e meus irmãos ganhamos nossa primeira coleção de livros infantis, eu ainda não sabia ler mas a vontade de saber o que estava escrito neles era tão grande que eu ficava inventando as falas dos personagens, logo depois minha mãe me colocou na escolinha, minha empolgação era imensa, pois não via a hora de aprender para poder ler meus livrinhos. Depois que comecei a juntar as letrinhas, deslanchei na leitura, eram livros de história, contos infantis, gibis, até alguns livros que meu pai tinha desde pequeno e os guardava em cima do sótão, os quais nem me lembro dos títulos mas me lembro perfeitamente dos ótimos momentos que passei na companhia deles. São coisas simples, mas que despertam a vontade da leitura, se toda criança ganhasse um livro de historia infantil um gibi ou qualquer coisa que possibilitasse o contato com a leitura, acredito que ajudaria muito, e como ajudaria...

Educação começa pelo exemplo...

Minha experiência com a leitura...


Lembro que tinha 6 anos quando comecei a estudar. Antes disso, minha mãe já me contava histórias em casa, pois, tínhamos muitos livros infantis. Mas, quando consegui aprender a ler sozinha, comecei a ler todos os livros que tínhamos em casa! Claro, comecei pelos infantis, mas, chegou um momento em que esses livros acabaram e, a minha vontade de ler não. Minha irmã mais velha estava no ano de vestibular, e por isso, ela tinha diversos livros de literatura obrigatórios para a prova... Não resisti. Comecei a ler Machado de Assis e José de Alencar aos 7 anos. Fui além disso: fiz um caderno de resumos dos livros que já tinha lido. Com o passar do tempo, o caderno acabou e comecei a escrever o segundo.

A leitura é maravilhosa quando é descoberta naturalmente. Ela é a porta para outros mundo, a maioria dos leitores são formados em casa, pelos pais. Esse primeiro contato com os livros de histórias infantis é imprescindível para despertar o interesse na criança. Ler é viajar por outras realidades, é aumentar o vocabulário, é estimular o cérebro, é relaxar a mente, enfim, é uma experiência única.

O que podemos perceber nos nossos alunos, é que eles não gostam de ler. Quando perguntamos se os pais leem em casa para eles, a resposta é sempre não. Assim, esse é um enorme obstáculo para a educação: como ensinar os alunos a gostarem de ler? Agora quando os pais possuem livros em casa e, contam histórias para os filhos, esse gosto pela leitura é natural. Ler não é só codificar símbolos, mas, também é interpretar nas entrelinhas, o que o autor está querendo dizer... Muitos alunos sabem ler, mas, não conseguem interpretar.

Na minha opinião, a mudança cultural está afetando a formação de leitores, pois, as crianças já não são estimuladas à ler como eram antigamente. Os pais provavelmente, também não gostam de ler. Essa falta de leitura acaba atrapalhando em todas as disciplinas, pois, para responder uma questão de Matemática, o aluno precisa entender o enunciado. A escrita é muitas vezes realizada de maneira errada, pois, se a criança não lê, não sabe como determinada palavra é escrita.
O começo...
          A leitura sempre me fascinou, desde muito cedo, acredito que, principalmente pela influência do meu pai, ele sempre gostou de ler, então os livros sempre estiveram presentes no meu lar, a companhia constante da minha mãe aos meus primeiros passos rumo a alfabetização, a dedicação da querida professora Helena, me deixaram a vontade para conhecer esse mundo novo. Ao acompanhar a cartilha as dúvidas surgiam antes das aulas, como escrever o nome do colega Jair? A ansiedade crescia até que a resposta finalmente surgia. A leitura de revistas em quadrinhos me deixou a vontade com a leitura, logo a  curiosidade me levou a explorar a coleção de best sellers do meu pai, comecei com os mais finos pelo medo de não dar conta do desafio, mas quando me dei conta já tinha lido todos, a sensação era maravilhosa, conhecer outros ambientes, personagens, conflitos, enfim poder vivenciar sem sair do lugar, viajar o mundo no sofá de casa, que privilégio a leitura!

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Inicio este blog com a seguinte frase, de André Petry:

"É fundamental que as novas gerações educadas no "digital" sejam capazes de ler bem, ler para imaginar, para refletir e - eis o apogeu e a glória da leitura - para pensar seus próprios pensamentos".

Proponho uma discussão sobre a leitura em sala de aula, afinal, onde nossos alunos perderam o interesse pela leitura?
Por que uma atividade tão prazerosa é vista como chata e entediante por muitas crianças e adolescentes?